domingo, 5 de junho de 2011

1ª Pessoa do Singular


Estava com saudades de escrever algo que desrespeita-se a mim, e só a mim. Aqui, pois, algo que há tempo não fazia. Escrever sempre foi uma terapia muito boa, uma forma de me expressar além das conversas que às vezes não são articuladas como gostaríamos. Eu tenho noção que sempre que preciso tenho aqueles que estão a postos para me ouvir, isso não quer dizer que alguma coisa vá mudar. Tenho também um caderno e uma caneta, que estão sempre dispostos a trabalharem e serem trabalhados em prol das minhas idéias, meus anseios e devaneios. Um editor de textos também tem seu papel importante nessa tarefa. Li, não muito tempo atrás, que tudo que é escrito é sobre alguém, e o alguém presente em tudo que eu escrevo é um só: EU!
Um “eu” personagem. Um “eu” paisagem. Um “eu” presente. Um “eu” ausente. Um “eu” aqui. Um “eu” ali. Um “eu” que não está nem aí! Mas sempre um “eu”, independente de você, dos outros e de quem quer que seja.
Já passei por egoísta, egocêntrico, frio e indiferente. E talvez eu seja um pouco mesmo, porque deixei muitos pelo caminho, mas quando olho pela trilha que só tem um par de rastros eu finalmente me pergunto, estarei sozinho? Acredito que não. Prefiro acreditar que não. Porque isso pode significar que não há ninguém a minha esquerda, nem a minha direita. Mas certamente não exclui a possibilidade de eu levar alguém em meus braços, no meu colo Muitos “alguéns”! Estes não são aleatórios, de modo algum! São meus amigos, ou nem tão amigos assim, mas todo aquele que eu julgo importante de alguma forma em minha vida. Sou seletivo, mas levo tantos quantos minhas pernas possam agüentar! E tenho certeza que um dia irão andar sozinhos e que nas oportunidades de minhas quedas também me levarão no colo, até que eu restabeleça minha capacidade motora e volte a andar pelas minhas próprias pernas.
Abrace um mundo que seja do tamanho dos seus braços e não maior que isso. Caminhe, com firmeza e certeza. E se a direção é mais importante do que a velocidade, esta direção é estabelecida pelo caminhante, pelo sobrevivente , por você! (que neste caso sou eu.) :P




terça-feira, 8 de março de 2011

Rotina.

Hoje pensei um pouco sobre meus medos. Procurei dentre todos, aquele que eu julgasse maior, mais intenso. Na minha procura imaginei quais seriam os mais comuns. Altura? Palhaços? Solidão? Morte? Algum pequeno animal? Talvez um grande? Não! Nenhum desses considerei como um grande medo meu. Pensei em pessoas e objetos, então encontrei duas palavras-chaves: Indiferença e Tempo.

Quando pensei em pessoas, procurei aquilo que me causasse algum desconforto, um grande desconforto. Então me veio em mente pessoas chatas, sim pessoas chatas. Desisti. Elas causam-me desconforto sim, mas não medo. Por mais um período refleti e rapidamente pensei: Indiferença! Então tive certeza que eu tinha um grande medo dela. Ela traz angústia, ansiedade e incerteza. Não me considero uma pessoa insegura, não mesmo! Mas eu gosto de certezas, sejam elas boas ou ruins. As incertezas, aquele monte de elementos flutuando bem na frente do teu nariz, e tu não sabes o que eles querem te dizer. Uma pessoa pode ser gentil ou explosiva, e então tu saberás! Mas há aquelas que são indiferentes e diante dessas eu me sinto desarmado, totalmente desarmado.

Quando pensei em objetos, e no tempo, pensei em um calendário! Não sei se ele é exatamente um objeto, mas eu tenho medo de calendários. Eles começam o ano estando gordinhos e vazios. E ao passar do tempo eles vão emagrecendo, mas ficando cada vez mais pesados, acumulando, de forma totalmente ordenada, compromissos e responsabilidades. Você depende dele para se organizar, e tomar decisões. A mecanização do tempo em horas nos aprisiona, mas é na ilustração dos dias em calendários que eu realmente me desespero. Tenho muito tempo! Tenho pouco tempo! Faltam muitos dias! Faltam poucos dias! É hoje! Foi Ontem! Será amanhã! Nossa, isso tudo me leva a exaustão.

Pensar nos próprios medos, ou desconfortos, é uma atividade interessante. Você consegue, assim, identificar algumas coisas, que mesmo correntes, passam despercebidas no meio do nosso cotidiano. Mas não devemos ter medo de tudo, pois senão o ter medo vira rotina, e afinal esse é meu maior medo. Cair na rotina!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Amor.

Hoje, depois de um longo período de aparente tranqüilidade, fiquei num mau humor federal, e gratuito. Não estava especialmente incomodado com alguma coisa. Era meio-dia, o sol apontava bem encima de minha nuca, e eu suava feito um condenado. No que eu apanho o coletivo, em direção ao Campus do Vale, cochilo sobre o molejo do ônibus. Estou com muita fome, e não, o Restaurante Universitário não abre, tenho apenas dois reais e sessenta e cinco centavos. Avisto aquele botequim horrível, a tabela com os preços esta bem acima, para minha sorte um lanche custa dois reais e cinqüenta centavos, escolho um com nome inusitado. Hilda Furacão. Frango com algumas variedades de queijo, o nome é ímpar, o gosto também. Horrível. Perco mais umas duas horas na bolsa, e retorno para casa. Com meu MP3, ouvindo a mesma seleção de músicas que está lá dentro desde outubro, denovo dentro do ônibus, começo a me indagar sobre este novo ano. “Um bom ano”, concluo rapidamente. E sim, realmente um bom ano, embora tenha apenas a soma de uma quinzena de dias.

Meu mau humor é persistente. Mas também é claro. Eu penso melhor nesse estado de espírito. Volto a refletir sobre o ano presente, ele tem sido muito compensador, depois do anterior ter sido repleto de mudanças e conclusões. Convenci-me, por exemplo, que o amor, aquele que todos falam, existe. Não é algo que queremos sentir, mas sim algo que sentimos sem querer. E embora associem, sem exceções, amor e sorrisos, e eu concorde parcialmente, ele pode ser apenas um verbo transitivo na gramática, ou em algumas vidas solitárias. Ele é muito maior, é muito mais, e por isso mesmo que a sua grandeza não está ligada a sua vasta gama de denominações, mas sim a sua irrestrita possibilidade de apropriações.

Podemos definir amor de diversas formas: O amor é uma dor! O amor é como um rio! O amor é um sentimento maravilhoso! O amor é como o beija-flor! O amor é uma desgraça. Para cada denominação uma apropriação. Eu digo isso, porque, eu mesmo, já me apropriei dele de distintas formas. Um dos meus grandes amigos, um eterno romântico, sempre me diz: “O amor é o que me move”. Eu o admiro, talvez. O fato é que não podemos nos esconder atrás das convenções, onde o senso comum nos diz que amar é depositar todas suas expectativas em outro alguém, que ele acontece uma única vez, que sem ele não podemos viver. John Lennon foi um precursor nesse tema, ele denominava isso de anulação.

Concordo com o senso comum em apenas um ponto, mas com uma interpretação diferente; não podemos viver sem o amor. Sem ele, nada mais, tem sentido. Mas, veja bem, ele só tem sentido se dermos o devido sentido para ele. No momento em que o transformarmos em algo banal e fútil, ele se esvazia de toda sua grandiosa, e bela, carga de sentidos. Jovens, e velhos também, tomam remédios para enfrentar o que eles mesmos chamam de “dor do amor”. Que sentimento tão grandioso é esse que é enfrentado com química? O abandono e a solidão, imaginam eles, são frutos da desilusão, do mesmo amor que escancarava os dentes em suas bocas e enchiam seus dias de alegrias.

Não posso concordar com tudo isso. O amor não se esconde atrás de títulos convencionados. O amor não é um namoro, um casamento, um compromisso, um contrato. Eu vos digo o que é o amor. O amor é liberdade, é companhia, mas também é solidão. O amor é solução, é solidariedade e determinação. Mas o mais importante, ele é próprio, não é emprestado. Ele se encontra com você, e apenas com você. Pra cada denominação uma apropriação. E a minha apropriação, apesar de apenas mais uma, é simples e clara. Meu amor é o amor fraterno.