quarta-feira, 19 de dezembro de 2012


Pequenas verdades da vida;

Passava na avenida, quando, abaixo do meu olhar, surge um mendigo sentado sob o poste. Ouço então:
-Tens um trocado para o velho? 
- Dou dez centavos pelo seu pensamento! – retruquei, já tirando do meu bolso um pequeno níquel.
- Penso que você deveria me dar mais dez centavos. – responde o maltrapilho, que apesar da sujeira mantinha certa preocupação com sua imagem, uma longa barba e ares de alguém que já havia sido calejado pela experiência das ruas. Imaginando que nessa inesperada relação me fosse revelado um grande pensamento, insisti para que o vagabundo me dissesse meia dúzia de palavras. A insistência somou sessenta centavos pelo mesmo conceito. O velho, na permanência do seu discurso, demonstrou que a simplicidade e recorrência do seu pensamento podiam ser rentáveis. Desisti. Naquele leilão de idéias arrematei apenas uma esperança tola de ouvir uma grande verdade da vida, advinda da boca de um mendigo. Mas levei-a comigo, me perguntando quantas dezenas de centavos ainda faltariam para a grande verdade. Tenho certeza que ele sabia... Me faltou dinheiro, me faltou paciência.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012


Marujo

se te assustas tão fácil
não sei o que faço
astúcia negada
interesse velado

cela,
me encontro numa cela
preso,
encarcerado em seus mistérios
refém do seu silêncio

cela,
selo meu compromisso
selo meu devaneio e para longe me vou
marujo, aprendiz
quebrei meu nariz

cela,
sê-la e tê-la
sonhar, sozinho, com ela
suar.

É surpreendente as descobertas ao fuçar em pastas antigas...


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Julho


Julho

Hoje é julho,
amanhã agosto, mês do desgosto.
Um brinde!
.                 Tim-Tim!
Um brinde de lágrimas
e sonhos rotos,
mas só amanhã,
hoje é julho.

(2011)

domingo, 22 de julho de 2012

Mistério

Podemos explicar um? Certamente esta é uma missão difícil! Ele nos atrae, sua aura é impetuosa  e transpira incertezas. Talvez por isso que sempre fiquemos tão tentados a desvendá-los. Aguçados pela curiosidade, procuramos, estudar e entender como ele funciona. Há imenso prazer nesta busca, ela atiça o que há de mais profundo em nossas formas de percepção. Adoro mistérios!

Eis que temos a lua, talvez a mais misteriosa de todas.

Brilha; Ora mais intensamente, ou por vezes tem a luz mais branda, no entanto sempre está presente. Seja exibida e cheia, esbanjando luminosidade e sorrisos, ou tímida, passeando por traz das nuvens...

Lua!

Bela e misteriosa.

Mas até a lua, imersa num oceano de surpresas, se apresenta de tempos em tempos, com alguma regularidade. Conhecemos suas quatro diferentes fases, suas duas diferentes faces.

Prazeres e mistérios.

Como conjugá-los? E em que dose?

O prazer do mistério, com já pincelei, é encontrado no gesto da busca, concordamos aqui... Mas o verdadeiro prazer do mistério é a possibilidade de ir tendo pequenos êxitos nesta busca, para que isso nos instigue a ir mais fundo e mais fundo! No momento em que atentamos para eles e nada compreendemos, nenhuma de suas dinâmicas - ainda que a mais simples delas, ele acaba se tornando aborrecido, sem graça.

Se mergulharmos de tal forma que decifremos matematicamente um objeto, uma pessoa, ela deixa de ser mistério. Se torna um cálculo, uma certeza, e não uma previsão, e isto se torna, tanto quanto, aborrecido.

Sei que posso contar com uma lua cheia ao mês e que cada luar seu será diferente. Diferente, mas luminoso!

Não acho ruim poder saber que ela virá imponente. Sabemos também do mar, que misterioso pode ser navegável ou não. Não eliminamos por completo o mistério das coisas, mas que tenhamos condições de evitar que naufrágios aconteçam por falta de qualquer orientação...

sábado, 23 de junho de 2012


EGo

Pela descriminalização do ego. Eu clamo pela descriminalização do ego! Se auto coroe! Você é o soberano do seu nariz. Deixe que seus sentidos, vontades e verdades aflorem. Liberte-se de suas próprias amarras. Você é um escoteiro, meu jovem. Tens a arte de desfazer qualquer nó.

Infeliz aquele que entender minhas palavras como uma apologia ao egoísmo, não estou dizendo a ninguém que crie uma confraria em seu nome, com apenas um membro e um espelho. Estou sugerindo apenas que confie em si mesmo, que atribua mais importância aos esforços do que as capacidades. A capacidade de superar-se é máxima universal dos homens.

Um homem pode ser tudo aquilo que ele acredita ser, mas é, sobretudo, o que ele pratica. Se, por um lado, um homem é o conjunto de suas idéias, é no conjunto de suas ações que ele objetiva sua existência.

E no dinamismo dessa objetividade, atravessamos a tangente e pincelemos de sentimento, de emoções, nossos hábitos e nossas crenças. Tenhamos a coragem e a serenidade necessárias para disciplinar mais nossa racionalidade do que nossos sentimentos. Permita-se falar sem pensar, agir por impulso, ficar vulnerável...

Discriminalize seu ego, assim como eu, que lentamente vou tentando...