quarta-feira, 19 de dezembro de 2012


Pequenas verdades da vida;

Passava na avenida, quando, abaixo do meu olhar, surge um mendigo sentado sob o poste. Ouço então:
-Tens um trocado para o velho? 
- Dou dez centavos pelo seu pensamento! – retruquei, já tirando do meu bolso um pequeno níquel.
- Penso que você deveria me dar mais dez centavos. – responde o maltrapilho, que apesar da sujeira mantinha certa preocupação com sua imagem, uma longa barba e ares de alguém que já havia sido calejado pela experiência das ruas. Imaginando que nessa inesperada relação me fosse revelado um grande pensamento, insisti para que o vagabundo me dissesse meia dúzia de palavras. A insistência somou sessenta centavos pelo mesmo conceito. O velho, na permanência do seu discurso, demonstrou que a simplicidade e recorrência do seu pensamento podiam ser rentáveis. Desisti. Naquele leilão de idéias arrematei apenas uma esperança tola de ouvir uma grande verdade da vida, advinda da boca de um mendigo. Mas levei-a comigo, me perguntando quantas dezenas de centavos ainda faltariam para a grande verdade. Tenho certeza que ele sabia... Me faltou dinheiro, me faltou paciência.

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