terça-feira, 8 de março de 2011

Rotina.

Hoje pensei um pouco sobre meus medos. Procurei dentre todos, aquele que eu julgasse maior, mais intenso. Na minha procura imaginei quais seriam os mais comuns. Altura? Palhaços? Solidão? Morte? Algum pequeno animal? Talvez um grande? Não! Nenhum desses considerei como um grande medo meu. Pensei em pessoas e objetos, então encontrei duas palavras-chaves: Indiferença e Tempo.

Quando pensei em pessoas, procurei aquilo que me causasse algum desconforto, um grande desconforto. Então me veio em mente pessoas chatas, sim pessoas chatas. Desisti. Elas causam-me desconforto sim, mas não medo. Por mais um período refleti e rapidamente pensei: Indiferença! Então tive certeza que eu tinha um grande medo dela. Ela traz angústia, ansiedade e incerteza. Não me considero uma pessoa insegura, não mesmo! Mas eu gosto de certezas, sejam elas boas ou ruins. As incertezas, aquele monte de elementos flutuando bem na frente do teu nariz, e tu não sabes o que eles querem te dizer. Uma pessoa pode ser gentil ou explosiva, e então tu saberás! Mas há aquelas que são indiferentes e diante dessas eu me sinto desarmado, totalmente desarmado.

Quando pensei em objetos, e no tempo, pensei em um calendário! Não sei se ele é exatamente um objeto, mas eu tenho medo de calendários. Eles começam o ano estando gordinhos e vazios. E ao passar do tempo eles vão emagrecendo, mas ficando cada vez mais pesados, acumulando, de forma totalmente ordenada, compromissos e responsabilidades. Você depende dele para se organizar, e tomar decisões. A mecanização do tempo em horas nos aprisiona, mas é na ilustração dos dias em calendários que eu realmente me desespero. Tenho muito tempo! Tenho pouco tempo! Faltam muitos dias! Faltam poucos dias! É hoje! Foi Ontem! Será amanhã! Nossa, isso tudo me leva a exaustão.

Pensar nos próprios medos, ou desconfortos, é uma atividade interessante. Você consegue, assim, identificar algumas coisas, que mesmo correntes, passam despercebidas no meio do nosso cotidiano. Mas não devemos ter medo de tudo, pois senão o ter medo vira rotina, e afinal esse é meu maior medo. Cair na rotina!